"O Espiritismo respeita todas as religiões e doutrinas, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre todos os povos e entre todos os homens, independentemente de sua raça, cor, nacionalidade, crença, nível cultural ou social. Reconhece, ainda, que “o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza”.

sábado, 14 de julho de 2012


Do átomo ao anjo: a evolução do princípio inteligente 



Nasce o nosso Universo

Há 13,7 bilhões de anos, tudo o que existia estava concentrado em um só ponto, que um cientista denominou de átomo primitivo ou ovo cósmico. Seu tamanho era trilhões e trilhões de vezes menor que a cabeça de um alfinete; era rico em energia altamente condensada, a ponto de seu calor ser de bilhões e bilhões de graus Celsius.
De repente, sem que se possa saber por quê, ele se inflacionou ao tamanho de uma maçã. E então explodiu, ejetando violentamente em todas as direções a energia e os conteúdos nele contidos.
Essa energia se condensou fortemente e produziu as partículas elementares da matéria. Nos primeiros três minutos, essas partículas formaram os átomos e daí o hidrogênio e o hélio, os elementos químicos mais simples e os mais abundantes do universo.
Enquanto isso, a energia ejetada, junto com as partículas elementares, formou uma incomensurável nuvem que se expandiu mais e mais. Lentamente, depois de uma grande disparada em todas as direções, ela começou a se esfriar e ganhar densidade. Deste processo se formaram as grandes estrelas vermelhas.
Elas funcionaram, por alguns bilhões de anos, como fornalhas ardentes dentro das quais ocorreram explosões atômicas de magnitude extraordinária. Lá se forjaram os principais elementos que estão presentes em todos os seres: o ferro, o carbono, o ouro, enfim, os 92 elementos básicos que compõem todos os seres e cada um de nós. Da morte de uma dessas estrelas se formaram a nossa galáxia, o nosso Sol e o planeta Terra.
O exposto acima é o que os cientistas denominam de Big-Bang, ou seja, a grande explosão. 

E Deus com isso? 

O problema de Deus aparece quando se colocam as seguintes questões: O que havia antes do começo? Quem deu o impulso inicial? Quem sustenta o Universo como um todo e todos os seres para que continuem a existir e a se desenvolver?
Nada? Mas do nada, nada pode vir.
Antes do Big-Bang, existia Deus, que existe de toda a eternidade.
Existiram também muitos outros universos, pois Deus jamais esteve inativo. Esses universos foram criados por sua vontade, cumpriram seu papel (campo de desenvolvimento do Espírito) e tiveram sua matéria colapsada, para ressurgir depois, qual a lendária ave mitológica, Fênix, que renascia das próprias cinzas. Pois um mundo formado desaparece e a matéria que o compõe se renova.
Essa teoria encontra ressonância no pensamento do Espírito André Luiz: Semelhantes mundos servem à finalidade a que se destinam, por longas eras consagradas à evolução do Espírito, até que, pela sobrepressão sistemática, sofram o colapso atômico pelo qual se transmutam em astros cadaverizados. Essas esferas mortas, contudo volvem a novas diretrizes dos Agentes Divinos, que dispõem sobre a desintegração dos materiais de superfície, dando ensejo a que os elementos comprimidos se libertem através de explosão ordenada, surgindo novo acervo corpuscular para a reconstrução das moradias celestes, nas quais a obra de Deus se estende e perpetua, em sua glória criativa.
Pronto o universo, o princípio espiritual poderá iniciar a longa marcha rumo à perfeição relativa que lhe é destinada.
Ao mesmo tempo em que vem criando, desde toda a eternidade, mundos materiais, Deus há criado, desde toda a eternidade, seres espirituais. Se assim não fora, os mundos materiais careceriam de finalidade.
Os mundos materiais teriam de fornecer aos seres espirituais elementos de atividade para o desenvolvimento de suas inteligências.

Nasce o princípio inteligente

A razão de ser do Universo é o desenvolvimento do Espírito humano. Pronto o Universo, o princípio inteligente poderá iniciar sua longa marcha rumo à perfeição relativa que lhe é destinada.
Deus renova os seres vivos como renova os mundos.
Indestrutível, o princípio espiritual se elabora nas diferentes metamorfoses que sofre, estagiando nos reinos mineral, vegetal e animal, antes de adquirir a razão e identificar-se com a humanidade.
Quanto à origem do princípio inteligente nada sabemos.
Segundo alguns, trata-se de uma emanação da Divindade.
As propriedades sui generis que se reconhecem ao princípio espiritual provam que ele tem existência própria, pois que, se sua origem estivesse na matéria, aquelas propriedades lhe faltariam, desde que a inteligência e o pensamento não podem ser atributos da matéria.
Aos nossos olhos não tem uma forma determinada, pode ser comparado a uma chama, um clarão ou uma centelha etérea, cuja cor varia do escuro ao brilho do rubi, conforme a sua pureza; com alta capacidade de proporcionar impulsos e abrigar experiências que se transformam em estruturas definitivas e cada vez mais complexas.
Foi criado simples, ignorante, mas dotado de perfectibilidade. Simples, porque único, formado de uma só parte, homogêneo. Ignorante porque sem conhecimento, experiência e aquisições. Perfectível porque dotado da potencialidade do progresso, de um projeto íntimo de desenvolvimento, de um propósito no sentido de haver um movimento na direção de mais diversidade, complexidade e cooperação.

O princípio inteligente se veste de matéria

Criado, deveria ligar-se à matéria, laço que prende o Espírito e instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce a sua ação. Essa ligação se dá através da formação de um campo de influência não física. Semelhante ao campo gravitacional, ou ao campo eletromagnético (o ímã atraindo as limalhas de ferro), o campo criado pelo princípio inteligente será uma zona de influência onde ele irá comandar a unificação dos átomos e a elaboração da vida nos diferentes reinos da natureza. Mas o elemento espiritual é um ser indefinido, abstrato, que não pode ter ação direta sobre a matéria, sendo-lhe indispensável um intermediário. Com o princípio inteligente, portanto, nasce um envoltório sutil, fluídico, o qual, de certo modo, faz parte integrante dele. Como toda matéria, esse campo de energias sutilíssimas é extraído do fluido cósmico universal, a energia primitiva do universo, que, nessa circunstância, sofre uma modificação especial.
Esse envoltório fluídico vai aprimorar-se passo a passo com o princípio inteligente, constituindo-se, oportunamente, no corpo espiritual (perispírito).

No reino mineral, a atração

O princípio inteligente, liga-se, então, através de seu envoltório de energias sutis, à matéria recém-formada, aos átomos, e partículas subatômicas, preparando-se para elaborar em si mesmo o princípio da atração, primeira aquisição do princípio inteligente, enquanto ainda no reino mineral.
A Lei de atração rege os elementos intra-atômicos, forças muito poderosas mantêm unidas as subpartículas atômicas. Nesse longo estágio junto ao reino mineral, o princípio inteligente adquire a capacidade de unir, aglutinar, atrair, que lhe será de inestimável valor no futuro.
O reino mineral propicia a solidez, a conquista simbólica da estrutura óssea do princípio espiritual. 

A vida surge na Terra 

O longo estágio junto ao reino mineral capacitou o princípio inteligente na arte de unir, aglutinar, agregar. Ele encontrava-se, agora, apto a avançar em sua autoelaboração, adquirindo outras propriedades: irritabilidade, sensibilidade, memória, instinto etc. Ele faria isso nos milhões de anos em que iria estagiar nos reinos vegetal e animal.
O planeta encontrava-se pronto para receber a vida e o princípio inteligente apto a atuar na reunião dos elementos químicos que daria nascimento às primeiras formas de vida na Terra.
A Terra havia se formado da condensação da matéria disseminada no espaço. A explosão de uma estrela vermelha (supernova) lançou uma nuvem de gás e de elementos por todos os lados. Lentamente, esses gases ganharam consistência por força da gravidade. Nasceu o Sol que conseguiu atrair ao seu redor os planetas que se formaram a partir dos detritos da explosão anterior. Um desses planetas era a Terra. Isso foi há cerca de 4,6 bilhões de anos.
Por 800 milhões de anos a Terra permaneceu como um mar de fogo devido sua origem estelar e aos meteoros que caíam brutalmente sobre ela, mas aos poucos foi criando uma crosta que lhe facilitou o esfriamento. A distância adequada do Sol e o equilíbrio criado pela gravidade que retinha os líquidos criaram as condições do surgimento de uma atmosfera, capaz de acolher a vida.
Segundo uma hipótese, há 3,8 bilhões de anos, gases da atmosfera primitiva (metano, amônia, Hidrogênio, e vapor de água), num ambiente onde predominavam descargas elétricas e raios ultravioletas, culminaram na formação dos aminoácidos e bases nitrogenadas, unidades básicas das proteínas e dos ácidos nucleicos (DNA e RNA). Com as moléculas essenciais à vida, envolvidas por delicada camada lipídica nasciam as bactérias primitivas.
Os corpos dos seres vivos se formaram pela reunião das moléculas elementares, em virtude da lei de afinidade, à medida que as condições da vitalidade do globo foram propícias a esta ou àquela espécie.
De acordo com outra hipótese, as primeiras formas de vida, ou as moléculas químicas essenciais à vida, vieram para a Terra, de outras regiões do universo.
Seja correta uma ou outra hipótese, isso não se deu por forças cegas do acaso. O princípio inteligente ali se encontrava, com seu poderoso campo magnético, criando as condições para que as reações químicas se verificassem de forma a permitir a eclosão da vida.

O Divino Escultor

Na direção de todos os fenômenos do nosso sistema existe uma comunidade de Espíritos Puros, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida. Jesus é um dos membros dessa comunidade. Com os seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhe o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria. Organizou o cenário da vida, criando o indispensável à existência dos seres do porvir. Fez a pressão atmosférica adequada ao homem e estabeleceu a camada de ozônio, para que filtrasse convenientemente os raios solares. E, finalmente, os artistas e técnicos da espiritualidade maior, sob a assistência amorosa do Cristo, colaboraram na edificação do mundo das células, a construção das formas organizadas e inteligentes dos séculos porvindouros, culminando com o aparecimento dos primeiros hominídeos. 

Como se deu a evolução

A evolução dos seres vivos a partir de espécies inferiores é um fato indiscutível na ciência. O estudo dos fósseis mostra que bactérias sem núcleo individualizado evoluíram para seres unicelulares com membrana nuclear e organelas um pouco mais complexas. Posteriormente a cooperação entre esses seres minúsculos fez com que surgissem formas de vida pluricelulares e, assim, numa cadeia de complexidade crescente, foram aparecendo os vegetais, animais inferiores, animais superiores e o homem.
Se considerarmos apenas os dois pontos extremos da cadeia, nenhuma analogia aparente haverá; mas, se passarmos de um anel a outro sem solução de continuidade, chegamos, sem transição brusca, da planta aos animais vertebrados. Compreende-se então a possibilidade de que os animais de organização complexa não sejam mais do que uma transformação, ou, se quiserem, um desenvolvimento gradual, a princípio insensível, da espécie imediatamente inferior e, assim, sucessivamente até o primitivo ser elementar.
Acompanhando-se passo a passo a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior.
O que se discute é como isso se deu. A hipótese mais aceita pelos cientistas associa duas ideias: a seleção natural, proposta por Russel Wallace e Charles Darwin no século XIX, e o Mutacionismo, ideia apresentada por Hugo de Vries. Em conjunto, essas ideias são denominadas de Neodarwinismo.
As mutações são transformações na molécula do DNA. Como o DNA é o molde em que a célula se orienta para sintetizar as suas proteínas, modificações no DNA serão acompanhadas por mudanças nas proteínas da célula e consequentemente mudanças em sua forma e função.
Muitas mutações são prejudiciais (causando doenças de origem genética) ou neutras (não tendo nenhum efeito sobre as proteínas). Um número minúsculo de mutações, no entanto, pode ser vantajoso, possibilitando que alguns indivíduos sobrevivam e se reproduzam de forma mais eficiente que os demais (seleção natural).
Assim, o neodarwinismo explica o surgimento de novas espécies (mutações sofridas pelas espécies anteriores) e desaparecimento de espécies antigas (não foram suficientemente aptas para sobreviverem na luta pela vida). Calcula-se que 99% das espécies existentes no passado desapareceram.
Mas para o Neodarwinismo tudo isso se deu sem um propósito, uma finalidade, e sim como resultado das forças cegas do acaso, o que é ilógico, pois forças cegas do acaso não podem produzir seres altamente complexos e inteligentes.
Para tornar lógica a proposta neodarwinista, é preciso que se admita a existência do princípio inteligente, o comandante invisível do processo evolutivo.
A evolução das espécies em geral e do homem em particular se deu em dois estados de vida: o material e o espiritual. Os “elos perdidos da evolução”, ou seja, seus fenômenos inexplicáveis se deram na dimensão espiritual, longe das lentes investigativas dos cientistas. O princípio espiritual funciona como um design inteligente  com seu corpo etéreo constituído de energias sutis, que funciona como campo modelador da forma física. As conquistas evolutivas do princípio espiritual vão sendo plasmadas no corpo físico e no corpo espiritual simultaneamente, em suas experiências nos dois planos de vida.
Podemos considerar ainda a atuação dos biólogos do plano astral que, sob a supervisão amorosa de Jesus, acompanham o progresso do mundo, intervindo, quando necessário, nos corpos espirituais das formas evolutivas, durante o estágio no plano espiritual. Essas intervenções poderiam responder pelas mutações necessárias ao desenvolvimento das novas habilidades.

A viagem do princípio inteligente

Criado simples e ignorante, o princípio inteligente vai encontrar os recursos de que necessita para seu aprimoramento nas experiências que terá junto às diferentes espécies biológicas, em sua longa jornada evolutiva. O corpo é simultaneamente o envoltório e o instrumento do princípio inteligente e, à medida que este adquire novas aptidões, reveste ele outro invólucro apropriado ao novo gênero de trabalho que lhe cabe executar.
São as vivências do ser espiritual, ora no plano físico, ora no plano extrafísico, que vão enriquecê-lo em sua estrutura íntima e, simultaneamente, aprimorar seu envoltório fluídico.
Nesse ir e vir, o princípio espiritual vai atravessar os mais rudes crivos da adaptação e seleção, assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação própria, penetrando, assim, pelas vias da inteligência mais complexa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão.

No mineral: a atração

Como fase inicial, o princípio espiritual estaria a influenciar as organizações atômico-moleculares do reino mineral. Seria como que um eixo energético intrometido no âmago dos átomos e moléculas, convidando-os à união.
Esse eixo energético criaria, com suas vibrações, o campo de agregação refletido nas forças de atração e coesão, a determinar a concentração das energias e respectiva condensação nos átomos e arrumações moleculares.
Assim, a organização mineral seria a consequência de um poder na intimidade de suas unidades atômicas, a conduzirem ordenadamente o processo agregativo.
Na intimidade do mineral, o princípio inteligente absorveria experiências, e fora dele arregalaria posições renovando-se; a fim de exercer novos potenciais de orientação com forças reconstruídas e sempre mais complexas pelas vivências anteriores de idênticos fenômenos. Nesse ir e vir, dentro ou fora da matéria, já existiria o princípio reencarnatório em ação.

No vegetal: a sensação

Adquiridas as experiências possíveis junto ao mineral, o princípio inteligente estaria apto a iniciar-se no reino vegetal.
Agora, além das aquisições da fase anterior (mineral: atração), ganharia, na fase vegetal, os novos potenciais da sensibilidade. A sensibilidade referida aqui nada tem a ver com as reações complexas do Espírito mais elaborado na fase hominal.
A sensibilidade conquistada junto ao reino vegetal se refere a reações aos estímulos, o desenvolvimento de respostas harmônicas aos diferentes estímulos do meio ambiente.

No animal: o instinto

O princípio espiritual maturado e elaborado no reino vegetal, em épocas incontáveis, teria que despertar em novas posições como exigência de seu impulso interior. Assim, ele buscará novo degrau evolutivo para afirmações, manifestando-se no reino animal.
A condição que caracterizaria o princípio espiritual nesta fase seria a aquisição do instinto; a princípio, nos animais inferiores, bastante simplificados, posteriormente, nos mamíferos, pelos órgãos mais bem trabalhados, apresentar-se-ia com mais alta e apurada eficiência, preparando para, mais à frente, ingressar no reino da razão.

No homem: a razão

Acredita-se que o homem tenha conquistado a razão e, consequentemente, o livre-arbítrio e a plena responsabilidade por seus atos há cerca de 200 mil anos. No entanto, homens pré-históricos, com a roupagem física bem semelhante à nossa forma atual, surgiram antes, há cerca de 3 milhões de anos, quando o córtex frontal, a área mais nobre do cérebro, já estava pronto.
O desenvolvimento da consciência não se deu de forma brusca, foi sendo elaborado durante milênios em existências sucessivas nos primatas superiores e posteriormente em várias espécies do gênero Homo.

Alma grupo da espécie

Em O Livro dos Espíritos lê-se: É nos seres inferiores da criação que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida. (607-a)
Individualizar-se, segundo o dicionário, é o mesmo que considerar-se uma coisa isoladamente. Em consonância com essas ideias, alguns pensadores evolucionistas apresentaram a hipótese da alma grupo da espécie, segundo a qual o princípio inteligente, em suas vivências nos reinos inferiores da natureza, ainda não se encontra individualizado, ou seja, caminha evolutivamente em associação com seres da mesma espécie.
Nas espécies mais simples, o princípio espiritual estaria mais preso aos seus afins, formando junto deles um campo de influência coletiva, a alma grupo da espécie, que teria como finalidade controlar a espécie em que se destina. Seria, portanto, um dinamismo conjunto que dirige colônias minerais, vegetais e animais mais simples.
À medida que as espécies vão perdendo o contato da colônia, resultado da própria evolução, se individualizam, passando a depender unicamente de si mesmas.
Segundo essa hipótese, podemos entender por que a sociedade dos insetos como as abelhas, formigas e cupins, instintivamente, desenvolvem atividades perfeitas e complexas, impossíveis de serem explicadas de outra forma.

Os ensaios biológicos e as destruições em massa

Como entender o surgimento de tantas espécies que deveriam desaparecer com o tempo? São documentados pelo menos meia dúzia de casos de extinções em massa de seres vivos, desde o aparecimento da vida na Terra. A mais recente delas, há cerca de 65 milhões de anos, levou ao desaparecimento dos grandes répteis, quando um meteoro de mais ou menos 10 km de diâmetro caiu no golfo do México. Se o princípio espiritual funciona como um design inteligente, como entender o surgimento de formas animais que não deveriam prevalecer com o tempo?
Primeiro, é preciso entender que o princípio espiritual, como um design inteligente, traz em sua estrutura íntima um propósito de evolução, uma força que o impulsiona para frente, um significado, uma razão de ser e de existir: o progresso.
Ele não traz, ao contrário do que pensam alguns, um mapa pronto e arrematado que lhe compete apenas copiar e seguir. Se assim fosse, estaria prevalecendo a ideia da predestinação, o que contraria o princípio da lei do esforço pessoal. Para que haja crescimento é preciso que existam escolhas, erros e acertos, que serão elementos necessários na aquisição de experiência.
As espécies biológicas que surgiram e desaparecerem devem ser colocadas na conta de ensaios biológicos experimentados pelo princípio inteligente, que buscava o melhor caminho para chegar ao seu destino.
Não há um plano determinado; as coisas poderiam ter-se dado de uma forma diferente. Alguns caminhos poderiam ter sido tentados até que verificassem que eram becos sem saída. A evolução é criativa e não prefixada.
Quanto às destruições em massa, é preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar, pois isso a que chamamos destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e a melhoria dos seres vivos.
A destruição em massa dos grandes répteis permitiu que um pequeno símio, do tamanho de um camundongo, que vivia fugindo dos dinossauros, encontrasse espaço para viver livremente. Esses minúsculos símios, alguns milhões de anos depois, se diversificaram nos grandes primatas que foram a matriz para o surgimento da espécie humana, há cerca de 3 milhões de anos.
Concluindo: o homem, sob certo aspecto, é filho da grande tragédia que culminou com a extinção em massa dos répteis pré-históricos.

terça-feira, 10 de julho de 2012


REPROGRAMAÇÃO – Francisco Neto (Hammed)


Nasceste no lar de que precisavas.

Vestiste o corpo físico que merecias.

Moras no melhor lugar que Deus poderia te proporcionar, de
acordo com teu adiantamento.

Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades; nem mais nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.

Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.

Teus parentes e amigos são as almas que atraíste com tuas próprias afinidades.

Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.


Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes, são as fontes de atração e de repulsão na tua jornada vivencial.

Não reclames nem te faças de vítima. Antes de tudo, analisa e observa. A mudança está em tuas mãos.


Reprograma tua meta. Busca o bem e viverás melhor.

sábado, 7 de julho de 2012

 O UMBRAL, Realidade ou Ficção?


O umbral, localiza-se em um universo paralelo que ocupa um espaço invisível aos nossos sentidos que vai da crosta terrestre até a algumas dezenas de metros de altura na nossa atmosfera.

É descrito por quem já esteve lá como sendo um ambiente depressivo, angustiante, de vegetação feia, ambientes sujos, fedorentos, de clima e ar pesado e sufocante. Para alguns espíritos é uma região terrível e horripilante. Para outros é o local onde optaram viver. A vegetação vária de acordo com a região do Umbral. Muitas vezes constituída por pouca variedade de plantas. As árvores são normalmente de baixa estatura, com troncos grossos e retorcidos, de pouca folhagem. Existem também áreas desertas, locais rochosos, e lugares de vegetação rasteira composta de ervas e capim. É possível encontrar alguns tipos de animais e aves desprovidos de beleza. No Umbral se encontram montanhas, vales, rios, grutas, cavernas, penhascos, planícies, regiões de pântano e todas as formas que podem ser encontradas na Terra.

Como os espíritos sempre se agrupam por afinidade (igual a todos nós aqui na Terra), ou seja, se unem de acordo com seu nível vibracional, existem inúmeras cidades habitadas por espíritos semelhantes. Algumas cidades se apresentam mais organizadas e limpas do que outras. Todas possuem espíritos lideres que são chamados de diversos nomes: chefes, governadores, mestres, presidentes, imperadores, reis, etc. São espíritos inteligentes mas que usam sua inteligência para a prática consciente do mal. São estudiosos de magia, conhecem muito bem a natureza e adoram o poder, quase sempre odeiam o bem e os bons que podem por em risco sua posição de liderança.

Há grupos de pessoas nas cidades que trabalham para os chefes. Acreditam ter liberdade e muitas vezes gostam de servirem seu chefe na ansiedade pelo poder e status. Consideram-se livres, mas na verdade não o são, ao menor erro ou na tentativa de fugir são duramente punidos.

Existem os espíritos escravos que vivem nas cidades realizando trabalho e mantendo sua estrutura sem receberem nada em troca além da possibilidade de lá morarem. São duramente castigados quando desobedecem e vivem cercados pelo medo imposto pelo chefe da cidade.

As cidades possuem construções semelhantes as que encontramos nas cidades da Terra. As maiores construções são de propriedade do chefe e de seus protegidos. Sempre existem locais grandiosos para festas, e local para realização de julgamentos dos que lá habitam. Em cada cidade existem leis diferentes especificadas pelos seus lideres. Lá também encontramos bibliotecas recheadas de livros dedicados a tudo que de mal e negativo possa existir. Muitos livros e revistas publicados na Terra são encontrado lá, principalmente os de conteúdo pornográfico.

Pode-se se perguntar. Porque é permitido que existam estes chefes e desta estrutura negativa de tanto sofrimento? Deus nos permite tudo, ele nos deu o livre arbítrio. O homem tem total liberdade para fazer tudo de ruim ou tudo de bom. Quando faz ou constrói algo de ruim acaba se prejudicando com isso e aos poucos, com o passar de anos ou de séculos vai aprendendo que o único caminho para a libertação do sofrimento e da felicidade plena é a prática do bem. A vida na Terra e no Umbral funcionam como grandes escolas onde aprendemos no amor ou na dor.

Ninguém vai para o UMBRAL por castigo. A pessoa vai para o lugar que melhor se adapta a sua vibração espiritual. Quando deseja melhorar existe quem ajude. Quando não deseja melhorar fica no lugar em que escolheu. Todos que sofrem no Umbral um dia são resgatados por espíritos do bem e levados para tratamento para que melhorem e possam viver em planos de vibrações superiores. Existem muitos que ficam no Umbral por livre e espontânea vontade se aproveitando do poder e dos benefícios que acreditam ter em seus mundos.

Além das cidades encontramos o que é chamado de Núcleos. Não constitui uma cidade organizada como conhecemos, mas se trata de um agrupamento de espíritos semelhantes. Os grupamentos maiores e mais conhecidos são os dos suicidas. Estes núcleos são encontrados nas regiões montanhosas, nos abismos e vales. Por serem espíritos perturbados são considerados inúteis pelos habitantes do Umbral e por isto não são aceitos e nem levados para as cidades em volta. Os vales dos suicidas são muito visitados por espíritos bons e ruins. Os bons tentam resgatar aqueles que desejam sair dali por terem se arrependido com sinceridade do que fizeram. Os espíritos ruins fazem suas visitas para se divertirem, para zombarem ou para maltratarem inimigos que lá se encontram em desespero. Não é difícil imaginar um local com centenas de milhares de pessoas que cometeram suicídio, todas ali unidas, sem entender o que está acontecendo já que não estão mortas como desejariam estar.

Existem os núcleos de drogados onde também existem pequenas cidades. Existem algumas poucas cidades de drogados de porte grande no Umbral. Realizam-se grandes festas e são cidades movimentadas. Existem relatos psicografados sobre uma região de drogados chamada de Vale das Bonecas e cidades como a de Tongo que é liderada por um Rei. Para todo tipo de vício da carne existem cidades e núcleos de viciados. Por exemplo, existem cidades de alcoólatras ou de compulsivos sexuais. Todos os viciados costumam visitar o planeta Terra em bandos para sugarem as energias prazerosas dos vivos que possuem os mesmos vícios.

É comum a existência de núcleos de marginais. Locais onde estão reunidos assaltantes, assassinos, ladrões, traficantes, e outros tipos de criminosos em sintonia mútua.
Nas regiões fora das cidades e longe dos núcleos encontramos andarilhos solitários, espíritos considerados inúteis até pelos povos de cidades e núcleos do Umbral.
Grandes tempestades de chuva e raios ocorrem em todo Umbral. Tem importante função de limpar os excessos de energias negativas acumuladas no solo e no ar, tornando o ambiente menos insuportável aos seus habitantes.

As cidades, tribos e vilarejos do Umbral normalmente possuem chefes ou lideres. São pessoas inteligentes com capacidade de liderança que costumam controlar, dominar e explorar as almas que nestas cidades residem. Como pode ver não é muito diferente da vida aqui na Terra onde temos exploradores e explorados. Exercem seu controle a partir do medo, das mentiras, da escravidão, de regras rígidas e violência. Algumas sabem que estão no Umbral e sabem que trabalham pelo mal das pessoas. Seu reinado não dura muito tempo já que espíritos superiores trabalham para convencer sobre o mal que faz a si mesmo fazendo o mal aos outros. É comum que estes “chefes” desapareçam inesperadamente destas cidades por terem sido resgatados por bons Samaritanos em sua missão. Em pouco tempo uma nova liderança acaba assumindo o posto de chefe nestas cidades.

As regiões umbralinas são as que mais se parecem com a Terra. Os espíritos por estarem ainda muito atrelados a vida material, por lhe faltarem informação e conhecimento acabam vivendo suas vidas como se realmente estivessem vivos. As necessidades básicas do corpo acabam se manifestando nestes espíritos. Sofrem por sentirem dores, sono, fome, sede, desejos diversos.

No Umbral encontramos grupos de pessoas que se consideram justiceiras. Coletam espíritos desorientados em hospitais, cemitérios, e no próprio umbral. Pessoas que fizeram muito mal a outras durante a vida ou em outras vidas, e pessoas que fizeram poucos amigos e por isto não tem quem as possa ajudar. Estes espíritos sedentos de vingança e de justiça feita pelas próprias mãos conseguem aprisionar e escravizar as pessoas que capturam. Acreditam que as pessoas que estão no Umbral só estão lá por merecimento. E isto não deixa de ser verdade. Mas no lugar de ajudar estas pessoas eles a maltratam por vingança e ódio pelo mal que cometeram em quanto estavam vivas.

Somente quando estas pessoas se arrependem dos erros que cometem na Terra e esquecem os sentimentos negativos que ainda nutrem é que os espíritos mais elevados conseguem se aproximar para seu resgate.

fórum espírita

quinta-feira, 5 de julho de 2012

AS QUATRO ESTRADAS
 
  Mapa-roteiro das quatro estradas que nos levam a Jesus, possibilitando-nos realizar a nossa viagem interior.









terça-feira, 3 de julho de 2012


MARIA - MÃE DE JESUS


Maria é um dos espíritos mais puros que foram dados à humanidade conhecer. Fiel a Deus, Maria não quer ser idolatrada, ou seja, não deseja que a vemos como ídolo. Solicita que a consideremos como uma criatura de Deus, cooperadora de Jesus na edificação do seu Reino, que está sendo construído no coração humano; e que trabalhemos com ela na tarefa de amor que é a nossa redenção e a dos nosso irmãos de humanidade, trabalho a ser feito palavra a palavra, pensamento a pensamento, emoção a emoção, e principalmente prece a prece.

A FAMÍLIA - Não há informação a respeito dos pais de Maria, ou de como foi sua infância e adolescência. O que se sabe é que era judia, tinha uma prima de nome Isabel casada com um sacerdote chamado Zacarias que eram os pais de João Batista. Que seu marido, José, era também judeu da linhagem do rei Davi da tribo de Judá. E que foi a Mãe de Jesus Cristo, O Messias.

O FILHO DE MARIA - A mais completa passagem da vida de Jesus encontra-se no Evangelho de Lucas. Detalhes sobre a visita do anjo Gabriel, o sonho de José, o nascimento de João Batista, O nascimento do Cristo, a fuga para o Egito, a visita ao Templo com 12 anos, o primeiro milagre nas bodas de Caná, seu Ministério, prisão, morte e ascensão,enfim, a maioria desses detalhes fora ditada por Maria á época que morou em Éfeso. Por isso costuma-se disser que o evangelho de Lucas é também “O Evangelho de Maria”. O filho de Maria trousse alegrias e lágrimas. O seu nascimento, sua infância, juventude e Ministério foi uma benção de alegria na vida de Maria, como disse o anjo Gabriel: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco”, e completou sua prima Isabel: “Bendita sóis vós entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. Mas A Prisão e Morte de Jesus arrancou-lhe muitas lágrimas, recolheu-se ao santuário da prece e rogou ao Senhor Supremo que poupasse o seu filho querido. Em meio de algumas mulheres compadecidas que lhe acompanhavam o transe e a João, viu seu filho flagelado e crucificado, mesmo assim, no auge de suas dores, o Cristo, mostrando sua perfeita comunhão com Deus, replicou com significativo movimento dos olhos vigilantes: “- Mãe, eis aí teu filho!”... e dirigindo-se a João disse: “Filho, eis aí tua mãe!”. Foi então que Maria, compreendendo a perfeição, a misericórdia e justiça da vontade do Pai, ajoelhou-se aos pés da Cruz, e contemplando o filho morto, repetiu as inesquecíveis afirmações: - “Senhor, eis aqui a tua serva! Cumpra-se em mim , segundo a tua palavra.”

SAUDADE, TRABALHO E ESPERANÇA - A velhice não lhe acarretara nem cansaços nem amarguras. A certeza da Proteção divina lhe proporcionava ininterrupto consolo. Sua casa ficou conhecida como “A casa da Santíssima”. Lá consolava os que a procuravam: - Minha Mãe – dizia um dos mais aflitos -  como poderei vencer as minha dificuldades? E Maria com seu olhar bondoso e maternal aconselhava: “Isso também passa.” - Dizia Ela – “Só o Reino de Deus é bastante para nunca passar de nossa alma como eterna realização do amor celestial.” Certo dia enlevada nas suas meditações,Maria viu aproximar-se o vulto de um pedinte. - “Minha Mãe” – exclamou o recém chegado – “venho fazer-te companhia e tomar tua benção”. Maternalmente ela o convidou a entrar. Aproximando-se o hospede anônimo estendeu-lhes as mãos  e falou amorosamente: - “Minha Mãe, vem aos meus braços!” . Nesse instante, fitou-lhe as mãos, e tomada de profunda emoção, bradou: - “Meu filho! Meu filho! As úlceras que te fizeram!...”. e precipitando-se para ele, fez um gesto que ia se ajoelhar, mais seu filho a levantou e ajoelhando-se e beijando suas mão disse-lhe: “- Sim minha Mãe, sou eu!...Venho buscar-te,pois meu Pai quer que sejas no meu Reino a Rainha dos Anjos...”. Maria cambaleou, tomada de inexprimível ventura quis agradecer mais seu corpo não mais obedecia, só ouvia o canto dos anjos.

RAINHA DOS ANJOS – Quando sua alma se elevou da Terra, desejou rever a Galiléia, observando do alto aquela paisagem, reviu todos os quadros do apostolado do seu filho, e dulcíssimas alegrias invadiram seu coração. Nesse instante quando a caravana espiritual se dispunha a partir, Maria santíssima, lembra dos discípulos perseguidos pela crueldade, desejando abraçá-los, visita uma multidão guarda a ferros nos calabouços de Roma. Aproximou-se de um a um, participou de suas angustias e orou com suas preces.foi quando aproximando-se de uma jovem encarcerada, disse ao seu ouvido: “ – Canta, minha filha! Tenhamos bom ânimo!...Convertamos as nossa dores da terra em alegrias para o Céu!...”. A triste jovem envolvida numa emotividade que fez vibrar seu coração e começou a cantar um hino de amor a Jesus. Daí a instantes seu canto melodioso era acompanhado pelas centenas de vozes que choravam no cárcere, aguardando o glorioso testemunho. Logo, a caravana majestosa conduziu ao reino do mestre a bendita entre as mulheres e, desde esse dia, os discípulos de Jesus tem cantado na terra, exprimindo o seu bom ânimo e a sua alegria, guardando a suave herança de Nossa Mãe Santíssima.


NA HORA DA AVE MARIA – É através do livro MEMÓRIAS DE UM SUICIDA,  recebido da espiritualidade através da psicografia de Yvonne Amaral Pereira, que temos notícias sobre as atividades de Maria no plano espiritual. Ela mantém muitas organizações na espiritualidade, uma delas é a Legião dos Servos de Maria que trabalha no socorro aos espíritos no Vale dos Suicidas. Socorridos, são levados ao Hospital Maria de Nazaré. Mas, a legião dos servos de Maria, mantém outras instituições em clima vibratório mais ameno. Uma dessas instituições é a Mansão da Esperança. Lá na hora da Ave Maria as vozes do céu se unem as da Terra. Eis como Camilo, o suicida socorrido, registrou essa hora: “ Por todos os recantos resoavam então doces acordes, melodias suavíssimas de agradecimento a Maria pelo seu amparo. A blandícia daquela oração, cuja simplicidade só igualava à sua própria excelsitude, despertavam em nossas mente as mais ternas recordações da existência. Choravamos... e então, orávamos, ali mesmo na quietude envolvente, sentindo em cada dia o ósculo de benéfico reconforto vivificando nossas almas, tal se misericordiosos bálsamos refrescassem nossa conciências.”


Josefa Nemésio ( D. Lêda), em palestra no NESL no mês de Maio/12, inspirada no Livro de mesmo título “Maria – Mãe de Jesus”, que reúne psicografias de Francisco Cândido Xavier e Yvonne Amaral Pereira.

DIANTE DA ANGÚSTIA - Divaldo Franco (Joana de Ângelis)


A ausência de objetivos existenciais conduz o indivíduo à conceituação do nada como um mecanismo de fuga da realidade.

Kierkegaard, o eminente teólogo e filósofo dinamarquês, estabeleceu que a ausência de sentido da vida conduz à angústia, procedendo do nada e vivenciando realidades para o futuro .

Essa ambigüidade entre o nada e o ser leva a uma irracionalidade da sua existência metafísica e a expressão absurda da vida.

Essa conceituação abriu espaço para formulações variadas na área da filosofia, facultando aos existencialistas, através do pensamento de Sartre, que a considerava como sendo uma expressão de liberdade, conseqüência da falta de objetivos essenciais. Igualmente os sensualistas têm-na como ausência de metas, o absurdo, produzindo resultados de aniquilamento da vida, como pensava Camus e todo um grupo de apologistas do prazer.

Sob o ponto de vista psicológico, a angústia resulta de vários fatores ancestrais, que podem possuir uma carga genética, que imprimiu no comportamento a patologia perturbadora.

Outros impositivos psicossociais como perinatais influenciam a conduta angustiante, levando à depressão profunda, que pode resultar em suicídio.

A fixação de pensamentos negativos em que o homem se compraz termina por gerar conflitos graves quando se negam auto-estima e o direito à felicidade, vivência a autoconsideração, tombando na revolta surda e silenciosa, que cultiva nos dédalos da personalidade conflitiva.

Entretanto, as raízes fortes da angústia encontram-se emaranhadas no passado de culpa do Espírito, que reconhece o erro e teme ser descoberto.

Envolve-se , sem dar-se conta, num manto sombrio de desconforto moral e sem ter consciência da sua realidade, compreende-a, mas não sabendo digeri-la, transforma-a em mortificação, em cilício, que o amargura.

Faltando valores morais para um enfrentamento lúcido com a realidade em que limita os movimentos, transfere o sentido de responsabilidade para o próximo, para a sociedade e descarrega a sua mágoa, rebelando-se, anulando-se.

A angústia é estado mórbido que deve ser combatido na sua causalidade.

A reflexão em torno dos valores que são desconsiderados, a introspeção sobre a oportunidade de despertamento para ser útil, o sentimento de fraternidade que deve ser despertado, contribuem positivamente para o tratamento libertador…

A ajuda especializada de terapeuta responsável enseja o desalgemar do Espírito desse amargo estado aflitivo, acenando possibilidades felizes que se transformam em bem –estar e saúde.

Não raro, o portador de angústia cultiva o masoquismo, que resulta de uma consulta egoísta, graças, ao que, mediante mecanismo psicológico especial, foge da realidade por necessidade de valorização pessoal.

Em face da ausência de recursos positivos e superiores, recorre ao atavismo dos instintos primários e descamba na torpe angústia.

Diante dela, somente uma resolução firme e legítima para facultar abertura terapêutica para o desafio.

Não havendo interesse do paciente, é certo que mais difícil se torna a liberação da psicopatologia tormentosa.

Considera a bênção da oportunidade que desfrutas e espanca as sombras da tristeza que, periodicamente, te assaltam.

Evita acumular amarguras defluentes da queixa, da sensação de infelicidade, e trabalha-te, a fim de que teu amanhã se apresente menos tenebroso.

Hoje colhes, enquanto fruis o ensejo de ensementar.

Busca ser útil a alguém, mesmo que, aparentemente, nenhum objeto se te delineie de imediato.

Sempre há oportunidade, quando se deseja crescer e desenvolver valores latentes.

Jesus informou que Ele é vida e vida em abundância.

Recorre-lhe à ajuda, e deixa-te curar pela sua assistência de Psicoterapeuta por excelência.

sábado, 30 de junho de 2012


Chico Xavier de sempre...


 Há dez anos – no dia 30 de junho – Francisco Cândido Xavier se desprendia do corpo físico. Completava uma existência de 92 anos e 75 de exemplificação nos labores espíritas.

Ante a história da vida e da obra mediúnica de Chico Xavier, não podemos nos absorver em questões tópicas, de curiosidade ou de informações pessoais. Sua obra majestosa e profícua assume dimensões de amplas perspectivas. Os livros psicográficos aí estão para serem lidos, estudados e ensejarem profundas reflexões.

As marcas da existência de dedicação ao bem e à paz são repositórios de iluminação para os caminhos a serem percorridos por todos aqueles que são tocados pela mensagem, pelo estímulo à renovação e ao aperfeiçoamento moral e espiritual. O homem simples e humilde, entre outros trabalhos significativos, psicografou a obra-prima Paulo e Estêvão no ambiente bucólico e pitoresco da Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo (MG), nos horários de pausa e de lazer do seu ambiente de trabalho profissional, com o beneplácito de seu chefe Rômulo Joviano. Hoje, a septuagenária obra é fonte de inspiração com base na epopeia dos primeiros tempos do Cristianismo e das figuras marcantes reverenciadas no título do livro. Entre muitas colocações oportunas de Emmanuel, destacamos a seguir alguns trechos que caracterizam a coerência e a maneira de ser do médium homenageado: Simplicidade, referindo-se à instituição de Antioquia:

“[...] Vivia-se ali num ambiente de simplicidade pura, sem qualquer preocupação com as disposições rigoristas do judaísmo. [...]”;

Mediunidade natural: “[...] A união de pensamentos em torno de um só objetivo dava ensejo a formosas manifestações de espiritualidade. [...]”;

Dedicação ao próximo:“[...] nossos serviços junto dos desfavorecidos da sorte, para que os seguidores do Evangelho, no futuro, não se arreceiem das situações mais difíceis e escabrosas [...]”.

Os romances históricos elaborados pelo Espírito Emmanuel permitem-nos a compreensão das lutas nos albores do Cristianismo e, na sequência de séculos, dos esforços dos cristãos. Graças à compreensão dessa longa trajetória passamos a entender a autoridade espiritual do orientador de Chico Xavier, legando-nos oito obras com comentários sobre o Novo Testamento, cinco delas editadas pela FEB, as quais compõem a Coleção Fonte Viva, a começar por Caminho, Verdade e Vida.As relações entre as dimensões corpórea e incorpórea são esmiuçadas na chamada “Série André Luiz” ensejando ilustrarem-se os ensinos contidos na Codificação Espírita. As ligações entre as humanidades encarnadas e desencarnadas são também evidenciadas em várias obras em forma de poemas e nas conhecidas “cartas familiares”, nas quais os Espíritos demonstram a seus parentes e amigos que sobrevivem à morte do corpo físico. A certeza da imortalidade da alma é fonte de consolo, de esclarecimento e de estímulo ao aperfeiçoamento moral e espiritual.


Nas manifestações públicas, entrevistas e diálogos, Chico se caracterizou pelo respeito, prudência e fidelidade a Jesus e a Kardec, desviando a atenção e o mérito sobre sua pessoa, direcionando-os ao mundo espiritual. No atendimento continuado aos carentes espirituais e socioeconômicos, Chico sempre levou a mensagem de carinho, consolo e alento. Testemunhamos inúmeros episódios marcantes. Entre estes, em visita que fizemos ao médium, durante a “peregrinação” de um sábado de novembro de 1983, os comentários tecidos em torno do trecho de O Evangelho segundo o Espiritismo (Ed. FEB, cap. VI, it. 1.):

Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração [...]. Depois dos comentários dos convidados, Chico concluiu: “Todos estamos sob o jugo da lei, mas o do Cristo é mais suave”, e concitou todos à paciência, à calma, à cooperação porque o amor e a caridade são imprescindíveis para a aceitação do jugo do Cristo.


Em 2010, foi concretizado o “Projeto Centenário de Chico Xavier”, de responsabilidade e com base em amplos estudos do Conselho Federativo Nacional da FEB, cujo objetivo foi enfatizar a obra de Chico Xavier e contribuir com a memória de sua atuação, respeitando sua privacidade pessoal e espiritual.


Cinco palavras-chaves foram tema da ampla divulgação, sintetizando a ação de Chico: espírito, saber, fé, amor e caridade. Mais de 600 eventos foram implementados em todo o País, com ampla difusão e repercussões nas várias modalidades de mídia. Mesmo depois de desencarnado, Chico Xavier e sua obra psicográfica foram instrumentos para a mais abrangente difusão do Espiritismo, o que permite considerar aquele período como o “Ano do Espiritismo”.


Os que conheceram e privaram da amizade com o médium entendem que hoje ele estaria próximo de todos os que desinteressadamente atuam na sementeira do amor, do bem e da paz. Parece-nos oportuna a manifestação de Chico Xavier, quando, completando 50 anos de labores mediúnicos, declarou humildemente a um jornal espírita: Sou sempre um Chico Xavier lutando para criar um Chico Xavier renovado em Jesus e, pelo que vejo, está muito longe de aparecer como espero e preciso [...].



Antonio Cesar Perri de Carvalho

quinta-feira, 28 de junho de 2012


O supérfluo e o necessário

Uns queriam um emprego melhor;
outros, só um emprego.
Uns queriam uma refeição mais farta;
outros, só uma refeição.
Uns queriam uma vida mais amena;
outros, apenas viver.
Uns queriam pais mais esclarecidos;
outros, ter pais.

Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.
Uns queriam ter voz bonita; outros, falar.
Uns queriam silêncio; outros, ouvir.
Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.

Uns queriam um carro; outros, andar.
Uns queriam o supérfluo;
outros, apenas o necessário.

 Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.
A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e

 a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.

Tenha a sabedoria superior.
Seja um eterno aprendiz na escola da vida.
A sabedoria superior tolera, a inferior julga;
a superior alivia, a inferior culpa;
a superior perdoa, a inferior condena.

Tem coisas que o coração
só fala para quem sabe escutar!

Que possamos estar sempre atentos aos sinais
e saber o que realmente se faz necessário.


_Chico Xavier_

terça-feira, 26 de junho de 2012

RESPONSABILIDADE  E  DESTINO


O Criador, que estabelece o bem de todos como lei para todas as criaturas, não cria Espírito algum para o exercício do mal.

A criatura, porém, na Terra ou fora da Terra, segundo o princípio de responsabilidade, ao transviar-se do bem, gera o mal por fecundação passageira de igno­rância que ela mesma, atendendo aos ditames da consciência, extirpará do próprio caminho, em tantas exis­tências de abençoada reparação quantas se fizerem in­dispensáveis.

Deus concede ao homem os agentes da nitroglice­rina e da areia e inspira-lhe a formação da dinamite, por substância explosiva capaz de auxiliá-lo na construção de estradas e moradias, mas o artífice do progresso, quase sempre, abusa do privilégio para arrasar ou ferir, adquirindo dividas clamorosas em sementeiras de ódio e destruição; empresta-lhe a morfina por alcaloide beneficente, a fim de acalmar-lhe a dor, entretanto, enfermo amparado, em muitas ocasiões escarnece do so­corro divino, transformando-o em corrosivo entorpecen­te das próprias forças, com que prejudica as funções de seu corpo espiritual em largas faixas de tempo; ga­lardoa-o com o ferro, por elemento químico flexível e tenaz, de modo a ajudá-lo na indústria e na arte, toda­via, o servo da experiência, em muitas circunstâncias, converte-o no instrumento da morte, a desajustar-se em compromissos escusos, que lhe reclamam agonia e suor, em séculos numerosos; dá-lhe o ouro por metal nobre, suscetível de enriquecer-lhe o trabalho e desenvolver-lhe a cultura, mas o mordomo da posse nele talha, frequen­temente, o grilhão de sovinice e miséria em que se ames­quinha a si mesmo; e confere-lhe a onda radiofônica para os serviços da verdadeira fraternidade entre os po­vos, mas o orientador do intercâmbio, por vezes, nela transmite notas macabras, em que promove o aniquila­mento de populações indefesas, agravando-se em débi­tos aflitivos para o futuro.

É assim que o Supremo Senhor nos cede os dons inefáveis da vida, como sejam as bênçãos do corpo e da alma e os tesouros do amor e da inteligência.

Do uso feliz ou infeliz de semelhantes talentos, re­sultam para nós vitória ou derrota, felicidade ou infor­túnio, saúde ou moléstia, harmonia ou desequilíbrio, avanço ou retardamento nos caminhos da evolução.

Examina, pois, a ti mesmo e encontrarás a exten­são e a natureza de tua dívida, pela prova que te pro­cura ou pela tentação que padeces, porque o bem verte, puro, de Deus, enquanto que o mal é obra que nos pertence — transitório fantasma de rebeldia e ilusão que criamos, ante as leis do destino, por conta própria.

Do cap. 34 do livro Religião dos Espíritos, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier.